
Adicionar a alguns bons anos de vida ,duas mãos cheias de experiências (metade boas,metade más,mas todas de excelente qualidade e de aroma intenso), uma hora de soluços, duas horas de lagrimas, dois dias de arrependimento, uma semana de saudade. Juntar a gosto desilusões gota a gota ( devem ser das mais antigas e dolorosas ), terminando com uma pitada de rancor.
Ir mexendo,lenta e cadenciadamente,de preferencia na cozinha as escuras ou na cama,debaixo do edredon do antigo amor perdido,podendo ir temperando, quando necessário,de mais umas lágrimas de quando em quando. A musica aconselhada deve ser qq bom fado, Chopin ou se os hemisférios aguentarem,Roberto Carlos,no seu melhor.
Quando a acidez chegar ao ponto ( nota-se pelo aroma a flores secas de jazigo, pela tonalidade parda e pelo toque pegajozo ),o que deve demorar umas semanas,no minimo, pegar com ambas as mãos na massa, amassá-la ainda durante uns dias, olhá-la atentamente,e amurrá-la. Amurrar é um termo específico para este tipo de receita (deriva do vernáculo "dar murros em")
Amurra-se então a massa, enquanto se adicionam outos ingredientes a gosto,como,p.ex.raiva, sensação de tempo perdido, frustração,desejos de fazer telefonemas raivosos (pôr bastante..),e o que mais a imaginação e o talento culinário providenciarem.Convém colocar a música bem alto ( dependendo do gosto dos hemisferios,heavymetal ou Wagner)
Termina-se esta receita da forma creativa que qualquer cozinheiro/a desejar.
Podem-se fazer vários bolinhos ,que depois de cozidos durarão para sempre dentro das embalagens que só nós sabemos confeccionar,específicas para este tipo de culinária, e que poderemos ter sempre na mala, no carro na secretária, nas lembranças....
Pode-se fazer um pão gigantesco (pôr acúcar e canela por cima,para disfarçar a côr e o cheiro) e receber amigos (coitados..)uma vez por semana até acabar o pão e a paciência,quiçá a amizade.
Pode-se transformar a massa numa bola,que depois de cozida,é pintada de multiplas côres,pintalgada com vários tipos de flores e deitada a pontapé ,com coragem,mas com geito,ternura ,respeito e sem saudade numa rocha escarpada num qualquer fim de tarde.

3 comentários:
sim ! definitivamente sim !
Com esses ingredientes não se deve fazer nada que sirva para comer. Não convém pôr dentro de nós algo feito com essas coisas, antes deitá-las para bem longe... ou ainda ficamos mal dispostos! Hi Hi
claro,Luzgui,por isso termino com a 3ª fase que é qd a deitamos fora. mas garanto que cozinhar este prato faz muito bem à saude..desde que bem terminado,a pontapé!
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