sábado, 13 de setembro de 2008

11 setembro 2001


Tinha lá estado 3 meses antes.O congresso interessante, a companhia amiga e uma nova paixão.

Nunca tinha sonhado apaixonar-me por NY,sempre imaginara que aquela megalómana arquitectura me assustaria, que as sombras seriam excessivas e os nova-iorquinos burros

A surpresa foi magnifica. A cidade respirava alegria,dinamismo,organização e liberdade.Confusão,sim,mas organizada.Orgulho,sim,mas educado.Dispersão,sim,mas assinalada.

Uma cidade que não dorme,de facto,onde tudo fervilha,canta e descobre o novo a cada esquina.

O enorme pode não ser desfigurante,a variedade pode não ser alienante,a energia pode ser contagiante

A majesteza das torres,vistas do outro lado do braço,o sol a brilhá-las, o vento a tentá-las...

As margueritas e as saladas caesar magnificas, imensas e sempre diferentes...

As lojas com tudo o que a imaginação pode desejar

Os recantos cosy inesperados

A Broadway...


Para mim foi mágico este encontro,jurando voltar a experimentar muito em breve..


A noticia foi-me dada pelo telefone, no intervalo de consultas,pela amiga que me tinha acompanhado.A voz era trémula, o tom suave embora trágico.Pensei que ela estivesse a brincar ou enlouquecido.Vê a Tv,disse em tom mais enérgico,e desligou.

A consulta teria que prosseguir e eu não tinha TV no consultório.

Com as lágrimas engolidas e as dúvidas mantidas,recebi até à noitinha os meus pacientes,os últimos já confirmando e pormenorizando

Era um fim de tarde ainda quente,em Cascais

Liguei,a medo,a TV.Parecia um filme,não é possível,ainda agora eu lá estive..

Senti-me a desmanchar como as majestosas Torres

Medo,confusão,estranheza,loucura,impossibilidade..


O sol já caíra há mais de 1 hora.

Prenunciei mudanças profundas na humanidade.Se o impossivel acontecia, de sinal negativo,seguramente que poderiam surgir novos e profundos impossiveis de sinal positivo

É sempre este tipo de pensamento que me acompanha nos momentos de crise.

Deus escreve direito por linhas as vezes muito tortas...mas continua a escrever.


Observemos o que tem vindo a acontecer desde então: guerras,ódios,sim,sempre assim será...

Mas parece estar a haver maior Consciência e maior solidariedade. Maior abertura e necessidade de clareza.Maior aceitação das idiossincrasias e crenças.Maior liberdade...

Assim quero crêr, pelas mudanças que observo

Não lhes quero chamar de loucura e de fim do mundo








2 comentários:

1/4 de Fada disse...

A sensação de descrença foi geral. Eu parecia as pessoas que, quando o homem foi à lua pela primeira vez, diziam que era tudo "fabricado" na televisão! Parecia um filme cheio de efeitos especiais...

imagine disse...

A descrença,quando se desfez,criou uma estranheza tão estranha...Afinal não há torres nem certezas,finalmente o mundo todo está a saber isto...