segunda-feira, 10 de março de 2008

Reflexões

sobre individualismo e corporativismo..

Parece-me não ter havido ,na história dos homens,nenhuma mudança ou movimento significativos, em termos individuais. Tudo aquilo que "ficou na história" refere-se a algumas pessoas singulares,sim, mas isso por necessidades culturais (dar o nome a, definir o quê ), que a cultura a devir ,nomeadamente a sua vertente científica (física quântica, neurociências, biologia molecular..e outros palavrões) transformará em grupos ou movimentos de pessoas.
Quero dizer que me parece que não haverá futuramente a descoberta do Sr Einstein,nem o livro do Sr Maugham nem a sinfonia do Sr Bethoven e muito menos os milagres de Jesus.
Nenhum ser significativo o foi , sem os seus parceiros e sem os seus contextos.
Se é verdade que o objecto não existe sem sujeito, para mim constatação lapalissiana, então o que são observadores e actuantes? qual a diferença?
Quem faz o livro? O escritor,certo. Quem lhe atribui significado ?

De quem é a responsabilidade das palavras escritas e dos conceitos subjacentes? Acham que o Fernando Pessoa o foi ,desde que nasceu, só de bafo divino? Não me parece. Construiu-se como a pessoa que se deu a conhecer, pelos vários contextos que a vida lhe proporcionou, pelas várias relações com os outros que estabeleceu,pelas várias companhias e estímulos com que viveu,pelos vários livros que leu,com as mesmíssimas palavras e conceitos com que escreveu...

A palavra que escrevo,a ideia que penso, não são minha propriedade. Tal como cozinhar uma feijoada . Sei lá com quantas pessoas e em quantos livros de receitas eu colhi as informações necessárias para fazer "a minha feijoada"? Porquê "minha"?

OK!! É a forma única daquela feijoada feita naquele momento por aquela pessoa com aqueles ingredientes ! É a originalidade, a genialidade de se fazer a coisa certa no momento certo,com a dose certa de sal e de feijão. Mas isso não é singular nem divino. É a forma pura da natureza se manifestar,como a côr de uma borboleta ou o contorno de uma onda.
Quero dizer que as "nossas palavras" e as "nossas feijoadas" não nos pertencem, mas sim a um sem-número de fenómenos,pessoas e experiências.

Não estou a apregoar nenhuma filosofia nova barata e muito menos a reflectir sobre budismo e unicidade. Apenas me debruço num fenómeno humano ,que me apaixona desde a infancia,como tudo o que se trate de humanos e mentes, que é a sua necessidade de possuir ( nomes, casas, titulos,contas bancárias,mulheres,maridos,filhos..), de demarcar territórios, de ter marca. (não só como o carro e o cão)

Penso que se este engano filosófico fosse sanado, o mundo seria mais equlibrado e as pessoas mais felizes. Quem escreveu estas fantásticas palavras : "Eu sou eu e as minhas circunstancias"?
Lá está: queremos é saber QUEM foi o dono destas palavras, sem percebermos que elas são do mundo. Ele só as divulgou...Acho que se divulga melhor,na actualidade( uma ideia ou um conjunto de ideias ) em grupo ,em conjunto.

Um livro pode ser "meu",escrito "por mim",ok.Mas esse livro não terá qualquer significado sem o mundo participante,seja a escrever,seja a ler, que são duas actividades quase equivalentes...

Continuo...

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